História do Pico

A trilogia Terra, Mar e Fogo

A ilha do Pico, uma das nove ilhas que constituem o arquipélago dos Açores, dispersas pelo Oceano Atlântico, sensivelmente a meio caminho entre a Europa e a América do Norte, constitui a fronteira ocidental da Comunidade Europeia.

Apesar de apresentarem assinaláveis diferenças entre si, as ilhas dos Açores também apresentam muitas semelhanças. A sua origem vulcânica, os recursos naturais e até o comportamento das suas populações, reflectindo a diversidade étnica dos seus povoadores, na sua maioria de origem portuguesa e flamenga, o isolamento a que foram sujeitas, ao longo de muitos anos, são algumas das condicionantes que levaram ao aparecimento de uma cultura açoriana muito própria.

A data certa do seu povoamento não é consensual entre os historiadores. Sabe-se contudo que por volta de 1440 a coroa portuguesa, por carta régia, manda colonizar, inicialmente com portugueses vindos do norte de Portugal Continental as já conhecidas ilhas açorianas que se encontravam desertas.

O povoamento da ilha do Pico ocorreu por volta de 1460, nos lugares das Lajes e Ribeiras situados a sul desta ilha, surgindo aí o primeiro concelho, o das Lajes do Pico, como sede administrativa de toda a ilha.

Os primeiros anos do povoamento no Pico foram muito difíceis. A maior parte dos seus solos encontravam-se cobertos de biscoito e mata. Foi preciso escavacar, remover pedra a pedra, para chegar à terra onde se plantaram pomares e vinhedos, que durante muitos anos foram a actividade económica com maior importância para as gentes que viviam no Pico.

Dos vinhos de grande qualidade então produzidos, destaca-se o Verdelho, que, durante mais de duas centenas de anos, percorreu o mundo chegando às mesas dos Papas e dos Czares da Rússia.

Nos melhores terrenos procedia-se à cultura do trigo e do pastel, planta tintureira posteriormente exportada para a Flandres.

Desde sempre o Homem do Pico associou a agricultura à pesca.

ScrimshawNos finais do século XVIII começaram a surgir, nos mares dos Açores as primeiras canoas baleeiras americanas que vieram recrutar homens para esta faina. Com o regresso destes rijos e corajosos homens do mar surgiu a caça do cachalote, que durante anos, se tornou numa importante fonte de riqueza para a ilha do Pico.

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Vinha do Pico, Património Mundial da Humanidade
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O nome desta ilha está indubitavelmente associada à sua majestosa montanha, a maior altitude de Portugal, com os seus 2.351 m, que serve de cenário natural ao rendilhado de muros de pedra de onde saem as vinhas da casta de verdelho.

Em Julho de 2004 a UNESCO proclama a Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, como Património Mundial da Humanidade. Este foi, decerto, um grande contributo para a manutenção deste importante património, evitando o desaparecimento deste cultivo único no mundo.

O Pico é, nos dias de hoje, uma ilha em desenvolvimento económico, tornado possível com a instalação de portos e do novo e moderno aeroporto, recentemente inaugurado.

A topografia da ilha, a infertilidade dos terrenos e a ausência de ribeiras  de carácter permanente, levou a uma dispersão no seu povoamento que, associada às dificuldades de comunicação, levaram à formação de novas freguesias e, mais tarde, de novos concelhos - o de São Roque em 1542 e o da Madalena em 1723.

Durante o século XVIII ocorreu uma série de catástrofes naturais, nomeadamente, erupções vulcânicas, que vieram não só destruir as colheitas como cobrir de novo as terras de pedra, resultante das correntes de lava que escorreram pelas encostas. Muitos homens viram então a necessidade de procurar outras formas de sustento para as suas famílias.

Em meados do séc. XIX, as vinhas foram destruídas pelo oídio, o que levou a um progressivo declínio desta actividade. A recuperação foi lenta e fez-se à base de novas castas mantendo-se contudo as castas do verdelho.

Paisagem protegida da Vinha do Pico
© Carlos Silva
Botes e lancha baleeira, ilha de São Jorge ao fundo
© Carlos Silva
Centro de Interpretação da Vinha do Pico
© Carlos Silva
© Direitos Reservados
Lancha de "boca aberta"
© Carlos Silva